Todo dia é dia de Jiu-jitsu

O fato é que para muita gente 14 de setembro é só mais um dia comum, para outros pode revelar diversos tipos de comemorações como aniversário, casamento e outras lembranças típicas do nosso cotidiano. Mas se você já teve o privilégio de alguma vez haver pisado num tatame em solo Brasileiro, pra você e para mim, como para tantos outros milhares de praticantes do BJJ ou Brazilian Jiu- Jitsu, como dizem por aí afora, a data vale mais que uma comemoração ou apenas uma menção honrosa. Voltemos ao ano de 1902 em Belém do Pará, onde nasceram os filhos de Gastão Gracie, dentre eles o mais velho. O aclamado aluno de um imigrante Japonês, criador de uma dinastia, Carlos Gracie; que aos 19 anos já se sagrava como professor da Arte Suave ensinada por Mitsuyo Maeda, o Conde Koma. Aquele que encontrou solo fértil na região norte do Brasil para plantar o conhecimento na Arte Marcial que diversos estudos apontam como a mãe de todas as lutas. Carlos dividiu seus ensinamentos com seus irmãos Oswaldo, Gastão e os menores George e Hélio, na época com 12 anos. Estes o acompanhavam e ajudavam nos treinos. Mas com a necessidade de deixar sua terra natal, os Gracie partiram para o Rio de Janeiro e de lá percorreram o mundo, amadurecendo seus conhecimentos e difundindo o Brazilian Jiu-jitsu com inúmeros desafios e apresentações, principalmente contra o Judô Japonês, uma das suas vertentes. Em 1925, os irmãos Gracie retornaram para o Rio e lá fundaram sua primeira academia. Anos mais tarde, o irmão de Carlos viria como um co-fundador da modalidade Brasileira, adaptando seus golpes e modificando alguns fundamentos, aperfeiçoando a arte que havia aprendido com o irmão mais velho, abrindo mão dos nomes dos golpes falados em japonês, substituindo os por outros mais fáceis de pronunciar, assim como os métodos de graduação e regras de disputas, seguindo os ensinamentos do próprio Carlos, criador também do estilo de vida Gracie, incluindo filosofias e dietas como a que leva seu sobrenome. Graças ao desbravamento desta família e ao pioneirismo destes Paraenses valorosos, celebramos na data em questão, um dia à parte dos demais. Embora o nome de Carlos Gracie não seja mais tão lembrado pela nova geração como deveria, em 02 de maio de 2012 o Governador do Estado do Pará sancionou a lei de n° 7.626, incluindo no calendário oficial o dia Estadual do Jiu – Jitsu. A data escolhida registra e homenageia o nascimento do Grão mestre Carlos Gracie, visando reconhecer a importância do primeiro Parauara em contato com este estilo de vida que transforma e se transforma a cada instante, ficando a memória daquele que iniciou tudo que outros praticam hoje como esporte, lazer ou defesa pessoal. Na presença de várias autoridades, os professores e coordenadores de vários projetos sociais  voltados para o Jiu-jitsu e idealizadores do projeto, Helton Ataíde, presidente da FPJJE, Lúcio Amorim, Dudu Kawage e Adriano Aguiar, conselheiro da FPJJE representaram muito bem a modalidade na ocasião. A data  também serviu para amplificar e clamar  e por investimentos e apoio para o fortalecimento desta grande ferramenta de inclusão social, dentro das periferias descobrindo talentos e afastando cidadãos da criminalidade. Hoje, lembramos mais uma vez da importância que é a pratica deste ensinamento de vital importância na historia da Arte Suave enraizada por aqui. Portanto descanse em paz mestre, pois enquanto houver uma faixa das mais alvas, as mais escuras ou rubras, seu nome será lembrado mesmo que involuntariamente.

Oss!

 

 

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Flavio de Jesus

Flavio de Jesus

Faixa Preta e Professor de Jiu-Jitsu. Formador de opinião. Ex praticante de Capoeira e amante das lutas. Pai de três, dedicado ao lar e as leituras. Esporte pode ser saúde, pode ser estilo de vida e pode ser tudo isso, depende do praticante.

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