Sem apoio, brasileiro nº1 do mundo no lançamento de dardo anuncia adeus

Jonas Licurgo não é o primeiro e nem será o último atleta brasileiro obrigado a abandonar o esporte de alto rendimento por falta de patrocínio. Prata no Mundial de Londres em 2017, ouro no Jogos Parapan-Americanos de Toronto e bronze no Mundial de Doha, ambos em 2015, o carioca figurava, há 5 anos, entre os 3 melhores do mundo do lançamento de dardo paralímpico. Em 2016 e 2017, terminou a temporada como o primeiro.

Hoje, aos 48 anos e ainda no auge, Licurgo precisou abandonar a carreira profissional no esporte. E não por motivos naturais, como os decorrentes desgates físico e mental comuns no esporte. Muito menos por ter dedicido fazer outra coisa da vida. Jonas retirou-se das competições por falta de apoio. Em post nas redes sociais, publicado nesta quarta-feira, o atleta, claramente decepcionado, explicou que seu retorno financeiro no esporte não permitia nem ao menos que ele comprasse sua passagem de avião para os torneios:

– Anuncio hoje a minha aposentadoria no esporte de alto rendimento. Quando, o que você ganha no esporte não dá mais pra comprar uma passagem de avião pra competir, não dá pra você se alimentar adequadamente, não dá pra você pagar o seu treinador, não dá pra você comprar os suplementos adequados para repor o que gasto com os treinos… então, é porque não dá mais pra continuar. Dei o máximo com o que eu tinha, agora, vejo que fui muito além, até mesmo das minhas expectativas. Tive uma carreira curta, porém com muito êxito… estou entre os 3 melhores atletas do mundo a 5 anos. Terminei o ano de 2016 e 2017 em 1° do Mundo, e o que que eu ganhei com isso? Absolutamente nada! A não ser dezenas de tapinhas nas costas e várias entrevistas em todas as emissoras do Brasil que não me somaram em nada. Vocês não têm noção de como estou me sentindo neste momento, sabendo que competições importantes estão por vir, e eu sem condições de competir em todas por falta de recursos. Só tenho que agradecer a todos vocês que sempre estiveram ao meu lado, sempre torceram por mim, choraram comigo e se alegraram juntos, só que não dá mais. Fica aqui, o meu muito obrigado por tudo que vcs fizeram por mim – escreveu Jonas em sua página.

Além da falta de patrocínio, Jonas ainda lida com o fato de que a sua principal prova – lançamento de dardo F55 – ainda não foi ncluída na Paralimpíada. Em 2016, no Rio, a prova para a sua classse não entrou no cronograma dos Jogos. Para Tóquio 2020, o carioca sabe que enfrentará o mesmo problema.

Na disputa pela prata em Londres, Jonas Licurgo chamou a atenção ao envolver-se em uma situação bastante curiosa. Na ocasião, o atleta já tinha feito 3 dos 6 lançamentos a que tinha direito e todas as marcas estavam bem abaixo das expectativas até então e o brasileiro mal conseguia se equilibrar na cadeira no momento das tentativas. Licurgo então se dirigiu ao árbitro pedindo para ver a lista dos atletas eliminados (os dois últimos ao fim da primeira rodada). Ao ver o nome do grego Charalampos Varytimidis, Jonas não pensou duas vezes e foi até o atleta e sua técnica, pedindo uma cadeira emprestada.

 

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Raquel Luciano

Raquel Luciano

Jornalista

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