Por onde andam os mestres?!

Sabe quando você abre suas redes sociais e se depara com um monte de faixa-preta da sua categoria, tanto no peso quanto na idade, mas quando chega aos Campeonatos não encontra nenhum e volta pra casa com aquela medalha de W.O? Infelizmente essa é uma realidade em Belém, berço do Jiu – Jitsu raiz e terra em que nasceram Carlos e Hélio Gracie, onde o Grão mestre Maeda descansa em paz. O típico lugar pra se ter orgulho de envelhecer e chegar ao nível maior do esporte permitido aos mortais, antes da faixa vermelha – é claro. Onde também muita gente porta o titulo de faixa – preta de Jiu – Jitsu, na sua maioria já com graus; existem muitas equipes (Team’s) e poucos competidores no nível acima dos 35 anos. Sabemos das dificuldades pela qual passam os Másteres do esporte atualmente, sem apoio. Mas não acredito que este seja o empecilho. Vamos pensar um pouco, sem querer polemizar ou sequer questionar, nem constranger ninguém, vejo essa questão como um excesso de egocentrismo, assim como em muitas academias por aí, alguns graduados se recusam rolar com atletas de menor graduação, não rolam com outros atletas da mesma faixa, que sejam de outras academias e também não querem se colocar a prova, com o receio de uma provável derrota. Tenho certeza de que estes são minoria, mas existem. A outra parcela, no caso a maior parte, está presa aos compromissos e afazeres do trabalho e da família, não restando tempo para o lazer individual, o que não pode ser visto exatamente assim, principalmente para os que fazem do Jiu – Jitsu um estilo de vida. O objetivo deste texto é obviamente resgatar a categoria mais importante e menos disputada dos campeonatos no nosso Estado. Como trazer os veteranos da Arte Suave para as competições, realmente é um caso à parte. Acredito que se lembrarmos de outros tempos, seria inspirador a determinação com que muitos competiam, sem as menores condições ou estrutura; por conta dos poucos recursos e da falta de apoio, os eventos não ofereciam sequer medalhas de qualidade e ainda assim, contávamos com a presença de bons lutadores (os mais tradicionais, principalmente) graças aos esforços dos idealizadores da época. Nunca tivemos uma quantidade muito expressiva, isso é fato. Mas de alguns anos pra cá, muito tem sido feito e os números não mudam. Quero deixar claro novamente, que não há a menor intenção de colocar o dedo na ferida de ninguém, federações e atletas renomados ou não, todos deveriam abraçar esta causa, pois analisando timidamente as condições atuais, com certeza veremos a carência de um setor que está inchado. São muitos os que ostentam em suas academias e Dojos uma quantidade enorme de medalhas, sem ter derramado um pingo de suor nos tatames de competição. Acredito que nenhum atleta casual, amador ou profissional se sinta realizado de ganhar sem lutar. Se não temos competidores na categoria Master/Senior, então eu deixo no ar a interrogação: Onde estão os mestres?

Cabem opiniões e comentários. Melhor que isso, cabem sugestões!

 

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Flavio de Jesus

Flavio de Jesus

Faixa Preta e Professor de Jiu-Jitsu. Formador de opinião. Ex praticante de Capoeira e amante das lutas. Pai de três, dedicado ao lar e as leituras. Esporte pode ser saúde, pode ser estilo de vida e pode ser tudo isso, depende do praticante.

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