O Jiu-Jitsu Brasileiro é tradição do Paraense e pronto!

Atualmente, a cidade que deveria respirar Jiu-Jitsu noite e dia agoniza e apesar dos esforços incansáveis de várias pessoas que fazem o impossível para manter a tradição do esporte na terra em que nasceu Carlos Gracie, ainda é muito difícil fazer a Arte Suave fluir por aqui. Há exatos 96 anos, quando Carlos Gracie partiu de Belém para tentar a sorte no estado do Rio de Janeiro, as coisas já não eram nada favoráveis por aqui para o estilo de Arte Marcial nascido em solo Nortista. Decorridos quase um século, vemos que as coisas não mudaram tanto e que os bons nomes do Jiu-jítsu ainda precisam ir embora, se quiserem alcançar algum reconhecimento. A cidade que abriga um grande número de praticantes e no geral, bons nomes da modalidade na faixa-preta não consegue movimentar o seguimento com a mesma força que as grandes metrópoles do país, como é o caso dos estados do Rio e São Paulo, grandes polos do cenário mundial, onde se encontram as maiores academias e o melhores lutadores obviamente. O Pará é imenso e nos dias de hoje o Brazilian Jiu-jítsu encontra se espalhado de ponta a ponta, varando pelas terras Maranhenses e segue Brasil afora, mas a parte vendável não está aqui e infelizmente pra quem se dedica bastante e deseja viver desta modalidade não encontrará vida fácil. Alguns nomes de destaque como o professor Rodrigo Aleixo que tem mais de 13 anos dedicados só na faixa-preta, um autentico representante da Gracie Humaitá, dar aulas, arbitrar em eventos, competir e ainda achar algum tempo para se especializar, exige uma verdadeira maratona e uma briga contra o relógio para achar espaço nesta rotina e para o lazer em família que o acompanha nesta jornada dos tatames. O faixa-preta Hadhamés Fernandes de Igarapé Açu também corre contra o relógio e se divide entre os eventos e sua academia longe da capital. O árbitro e professor também ajuda a difundir o esporte no nosso estado e é tido como uma grande referencia em arbitragem com certificação pela IBJJF, precisa se sacrificar bastante pela paixão aos tatames, assim como outro mais que trabalham com o Jiu-jitsu além das placas de borracha. Ítalo Andrade, Ubiratan Ferreira, Ricardo Candido, Diógenes Bastos, Stephanie Gomes, Elton Ataíde e tantas outras pessoas que se desdobram entre suas jornadas duplas, triplas ou mais em prol da organização e da promoção de eventos desta modalidade. Pessoas que precisam ser lembradas além da quatro linhas – como dizem na gíria do futebol – são pessoas que trabalham com o Jiu-jitsu e consequentemente pelo Jiu-jitsu. Tão importantes quanto um atleta e seu professor, colegas e família que se inscrevem e participam de campeonatos, os ajudantes e os apoiadores, todos conspirando juntos para que a história desta arte marcial não deixe de ser uma tradição daqui, como dizem por aí com certa arrogância, outros estados se dizem berço do BJJ, reivindicando a tradição na modalidade enquanto todos sabem que o Brazilian Jiu-jítsu de Carlos e Hélio surgiu aqui, na terra em que os patriarcas da família Gracie nasceram, onde o pai da Arte Suave morreu e repousa ainda se pratica muito bem o Jiu-Jitsu que o mundo conhece. Vamos ter orgulho disso ou não?! Meus parabéns vai pra quem faz o Jiu-jitsu daqui, ficar por aqui. Oss!!!

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Flavio de Jesus

Flavio de Jesus

Faixa Preta e Professor de Jiu-Jitsu. Formador de opinião. Ex praticante de Capoeira e amante das lutas. Pai de três, dedicado ao lar e as leituras. Esporte pode ser saúde, pode ser estilo de vida e pode ser tudo isso, depende do praticante.

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