Jiu-Jitsu comunitário. Este ano bem que poderia ser diferente!

Começamos mais um ano novo com velhas expectativas. Pelo menos dentro dos tatames a maioria dos faixa-pretas de Jiu-jitsu, principalmente nos bairros mais afastados de Belém e da região metropolitana, os mantenedores de projetos sociais convivem com velhos anseios de conseguir manter seus polos funcionando, a maioria em locais improvisados e gerando despesas pagas por quem também enfrenta e compartilha das mesmas necessidades, onde infelizmente nem todos são regularizados e muito menos patrocinados. O grande pesadelo de professores e coordenadores sempre foi a falta de apoio, principalmente quando se trata de projetos sociais, competições e espaço para a pratica do esporte que já provou inúmeras vezes ser uma ferramenta poderosa contra vários tipos de violência urbana e de resocialização para varias pessoas de comunidades carentes de varias idades, principalmente crianças. Quando se trata de periferia e de projetos comunitários, as dificuldades triplicam, pois sabemos bem da realidade difícil das pessoas que dependem do poder público em qualquer esfera, seja municipal, estadual ou federal a inércia é a mesma e além da desculpa da falta de recursos esbarra também na burocracia que favorece alguns e exclui a maioria. O exemplo disso vem de vários praticantes, professores e competidores de Jiu-jitsu que como Fabio Ferraz, Faixa-preta e campeão em diversas competições, coordenador do projeto Construindo o Amanhã que abriga vários menores, adolescentes e adultos com o intuito de tira-los das ruas, esbarra nas mesmas dificuldades que outros. A falta de material adequado e de local adequado para comportar os mais de noventa alunos que praticam e competem nos campeonatos pelo estado. O projeto construindo o amanhã do Tapanã, assim como os demais projetos pelo Brasil afora também forma grandes competidores que um dia podem chegar ao nível de grandes nomes como Erberth Santos, Fernando Tererê e tantos outros que vieram das periferias e subúrbios e hoje são nomes internacionais dentro do esporte com várias medalhas de ouro. A falta de kimonos e tatames atinge em cheio as áreas mais carentes, onde existe uma grande demanda de crianças ociosas e sem opções de esporte e lazer, muitas vezes atraídas para o mundo do crime por estarem soltas nas ruas e entregues sem orientação alguma, com tanta mão de obra disponível, o segundo maior empecilho é a falta de espaço. Com o aluguel de espaço comercial custando caro, torna se ainda mais difícil para um instrutor que trava uma verdadeira batalha para conseguir se manter, bancar o treinamento dessas crianças, tornado-os dependentes da caridade de alguns que ainda tentam ajudar. O professor David D’Saullo, coordenador de um projeto na região metropolitana sabe como é isso, pois na maioria das vezes é preciso mexer no seu próprio recurso familiar que ganha servindo a Policia Militar do Pará para bancar o projeto Elo com crianças que praticam Judô e Jiu-jitsu. Gleydson Joe, Ubiratan Ferreira, Rodrigo Aleixo, Heraldo Costa, Michel Pedro e tantos outro colaboradores também são exemplos de quem faze isso por amor ao Jiu-jitsu, mas que sente na pele a dor de seus atletas a cada graduação quando não tem faixa, a cada competição quando não tem kimono ou dinheiro para as matriculas, nem transporte pra esses lutadores. A realidade é uma triste constatação de que ninguém se importa, quem deveria se incomodar, não o faz pois não lhes é conveniente formar campeões. Atualmente para políticos e empresários é mais fácil abraçar um atleta depois de formado, agregar a imagem de uma empresa ou o nome público ao grande vencedor é um retorno aparentemente mais rápido. Quem não gostaria de ser um grande campeão patrocinado por grandes empresas? Mas vivemos assim, persistindo e acreditando em um futuro próximo, onde o esporte seja o agente de transformação na vida de tanta gente boa que se perde por falta de atenção e direção dos recursos públicos. Até lá, firmes na luta professores. Oss!

Comentários
Flavio de Jesus

Flavio de Jesus

Faixa Preta e Professor de Jiu-Jitsu. Formador de opinião. Ex praticante de Capoeira e amante das lutas. Pai de três, dedicado ao lar e as leituras. Esporte pode ser saúde, pode ser estilo de vida e pode ser tudo isso, depende do praticante.

%d blogueiros gostam disto: