“É preciso existir um Fadda…” Um pedaço que faltava no Jiu – Jitsu

Onde você estava em 1951 eu não sei, mas há 66 anos atrás, o Jiu – Jitsu precisou provar a si mesmo que os conceitos dentro da Arte Suave jamais serão unanimidades.

A família Gracie, que vivia seus dias de glória e de desafios memoráveis, principalmente contra o Judô Japonês, reinava absoluta nas mídias da época. Seja vencendo ou não, os Gracies eram aclamados nas apresentações como as de Hélio Gracie e outros membros do Clã tradicional de Carlos Gracie. Na época, também na cidade do Rio de Janeiro, um tal de Oswaldo Fadda, natural de Bento Ribeiro, na cidade maravilhosa, vinha de modo mais discreto trabalhando outro estilo de Jiu – Jitsu. O ex-fuzileiro, aluno de Luiz França graduado em 1942 pelo próprio mestre, que recebeu graduação de Mitsuyo Maeda no mesmo período que Carlos Gracie, o idealizador do estilo no Brasil e mestre de Hélio Gracie. Um pouco desacreditado, Oswaldo abriu sua academia em 1950, depois de fazer apresentações diversas, até mesmo em circos, como faziam os Gracies. Muitos consideravam Oswaldo, um exilado, não acreditavam muito na sua didática. Então, após fazer muitas amizades, acabou sendo o primeiro a iniciar seus treinos na periferia, tornou-se pioneiro em levar a Arte Suave para os subúrbios Carioca, mais precisamente para a zona oeste. Não havia nenhum interesse do então estabilizado professor, causar qualquer tipo de atrito contra os concorrentes da zona sul. Mas como um dos pioneiros no Rio de Janeiro ao acompanhar a crescente fama da família Gracie, Fadda enxergou alí uma grande oportunidade de conquistar também uma fatia daquele bolo, dentro do campo esportivo, promovendo seu estilo de treino, primando pelo lado da disciplina e da Hierarquia. Em 1954, Oswaldo Fadda montou um time de vinte lutadores e decidiu lançar um desafio direto ao time de Hélio Gracie, que de imediato aceitou. Com o horário e o dia acertado, o combate aconteceu na academia dos Gracie. Naquela ocasião, muitos se perguntavam entre os críticos: “como pode, uma academia do subúrbio carioca querer desafiar a estrutura da família Gracie”? Então, no embate franco e usando das chaves de pernas e de pé, o time de Oswaldo Fadda venceu com sobras, diriam hoje em dia, pois um lutador bastante habilidoso, aluno de Fadda colocou Leonidas, um dos alunos de Hélio Gracie para dormir em um estrangulamento. Apesar dos inúmeros protestos pelo uso das técnicas que os Gracie não dominavam, que eram os golpes nas pernas e chaves de pé, chamados de ‘técnica de suburbano’ pelos adversários, Hélio fez aquilo que lhe cabia, admitindo a derrota à contragosto, em meio as enxurradas de noticias e publicidades sobre o resultado, o mestre disse em entrevista: “É preciso existir um Fadda, para mostrar que o Jiu – Jitsu não é um privilegio dos Gracie…”

Alguns ainda afirmam que mais tarde, houve uma luta entre Hélio e Fadda, onde Oswaldo Fadda tenha saído vencedor. O fato nunca foi confirmado e os descendentes do Grão Mestre Hélio (In Memorian) negam, enquanto os herdeiros da linhagem do Grão Mestre Fadda (In Memorian) afirmam e defendem veemente o acontecido. Mas a lição que a história nos dá é de que a evolução do Jiu – Jitsu está dentro dele mesmo, o tempo sempre mostrará isso. Oss!

 

 

 

Inspirado no texto de Bruno Carvalho              

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Flavio de Jesus

Flavio de Jesus

Faixa Preta e Professor de Jiu-Jitsu. Formador de opinião. Ex praticante de Capoeira e amante das lutas. Pai de três, dedicado ao lar e as leituras. Esporte pode ser saúde, pode ser estilo de vida e pode ser tudo isso, depende do praticante.

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