Com carros ‘novos’ e pneus agressivos, Espanha deve ter GP diferente

Casa dos testes da pré-temporada, o circuito da Catalunha costuma ser palco de corridas mornas, tanto pelas características da pista, quanto pelo fato das equipes a conhecerem muito bem. Mas, depois de um começo de temporada muito disputado, com três vencedores de três equipes diferentes nas quatro primeiras provas, a expectativa para a prova deste ano é diferente.

Ferrari, Mercedes e, em menor medida, a Red Bull demonstraram nas primeiras corridas um equilíbrio de forças, fazendo com que as novidades que tradicionalmente são trazidas pelas equipes a Barcelona sejam mais importantes do que o normal.

É justamente pelas equipes poderem fazer a comparação direta na pista onde é feita a pré-temporada que os engenheiros se esforçam para aprontar extensos pacotes de mudanças na quinta etapa do campeonato. Além disso, existe a questão logística, por ser a primeira prova disputada na Europa, e também as características da pista, que testa tanto o carro em curvas de alta velocidade, quanto em um trecho final mais travado.

As equipes que mais devem trazer novidades são Williams, que está na lanterna do campeonato e com muitos problemas especialmente na traseira, Force India, que começou o ano com o projeto atrasado, e a McLaren, que ainda tem uma desvantagem considerável para os ponteiros mesmo estando em quarto lugar entre os construtores.

“Temos um novo pacote aerodinâmico chegando, mas acho que 95% do paddock também vai ter”, avaliou Fernando Alonso. “Então talvez a diferença para os primeiros continue a mesma. Acho que nós temos de fazer o pacote funcionar e torcer para que os outros não consigam isso. Essa é nossa esperança.”

PNEUS AGRESSIVOS
Mas o principal fator que aponta para um GP da Espanha diferente é a escolha da Pirelli. A fornecedora vai levar os compostos supermacios, macios e médios. Isso significa, na prática, que eles serão dois degraus mais macios que ano passado, o que teoricamente gera mais desgaste e abre as opções de estratégia.

Isso foi possível porque o Circuito da Catalunha ganhou um asfalto completamente novo, bem mais liso que o anterior. Por outro lado, ele é bem mais escuro, absorvendo mais calor. Além disso, a pista tem curvas que colocam muita energia e desgastam os pneus por serem rápidas e longas.

“As equipes já têm algum conhecimento do novo asfalto por conta da pré-temporada, mas o clima está muito quente, os carros consideravelmente mais velozes e o asfalto também estará um pouco mais velho”, lembrou o chefe de competições da Pirelli, Mario Isola. “Fomos muito agressivos na escolha dos compostos, então esperamos uma corrida diferente dos anos anteriores.”

VERSTAPPEN
O holandês de 20 anos volta ao palco de sua estreia na Red Bull e primeira vitória na F-1 dois anos depois bastante pressionado depois de se envolver em uma série de acidentes nas etapas iniciais do ano, tendo conquistado apenas um quinto e um sexto lugares. Enquanto isso, seu companheiro de Red Bull, Daniel Ricciardo, tem mais que o dobro de pontos e já venceu neste ano.

Os dois se envolveram em uma controversa batida na última corrida, no Azerbaijão, causando um abandono duplo da Red Bull. Desde então, Verstappen vem sendo questionado: o tricampeão Niki Lauda questionou sua inteligência, enquanto o ex-piloto John Watson disse que a equipe “criou um monstro” ao constantemente proteger o holandês. Até seu pai e mentor, o também ex-piloto Jos Verstappen, disse que o filho precisa “pensar mais” antes das manobras.

Mesmo após a batida, a Red Bull indicou que seguirá deixando os pilotos livres para disputarem posições.

Líder do campeonato, Lewis Hamilton também foi o vencedor do GP da Espanha do ano passado. Mas neste ano sua Mercedes tem tido rendimentos inconstantes justamente pela má interação com os pneus mais macios. O inglês tem quatro pontos de vantagem para Sebastian Vettel, da Ferrari, vencedor de duas das quatro primeiras corridas.

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Raquel Luciano

Raquel Luciano

Jornalista

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